AZULEJOS PORTUGUESES

Tradição. História. Herança. Cultura.

O AZULEJO é um elemento identificativo da Cultura Portuguesa, revelando algumas das suas matrizes profundas.

A capacidade de diálogo com outros povos, evidente pelo gosto por Exotismos em que aos temas de uma cultura europeia se misturam, por exemplo, os das culturas árabes e indianas.

Um expedito sentido prático, revelado no uso de um material convencionalmente pobre, o azulejo, como meio de qualificação estética dos espaços interiores dos edifícios e dos espaços urbanos.

Uma sensibilidade que em Portugal se orienta mais para valores de Sensualidade do que de Conceito, manifesta pela preferência de um material colorido, reflector de luz, pela expressão imediata da pintura e pela escolha de imagens mais centradas na descrição do real.

Portuguese Azulejos
  1. Alicatado

    711-716

    Técnica: Alicatado
    Recorte de placas vidradas a uma só cor que posteriormente são reagrupadas formando um desenho.
  2. Corda Seca

    séc. XIII-XIV

    Técnica: Corda Seca
    Criação de sulcos preenchidos com uma mistura de manganês e de uma gordura vegetal, garantido a separação dos diversos esmaltes.
  3. Azulejaria hispano-mourisca

    séc. XV

    Azulejaria Hispano-Mourisca
    Motivos mouriscos que se entrelaçam e repetem em esquemas geométricos radiais, formando um padrão.
  4. Relevo e Aresta

    séc. XV-XVI

    Decoração do Palácio da Vila de Sintra e forte presença do azulejo
    em Portugal por D. Manuel I.

    Técnica: Relevo
    Marcação de motivos em relevo na chacota, através do uso de moldes.
    Técnica: Aresta
    Impressão de desenhos de aresta no barro cru, através de molde. As arestas criadas permitem a separação dos esmaltes durante a cozedura.
  5. Majólica

    séc. XVI (1ª metade)

    Início da produção de azulejos em Portugal.

    Técnica: Majólica
    Aplicação de um esmalte branco no azulejo, o que permite este ser pintado sem que as cores se misturem.
  6. Maneirismo

    séc. XVI (2ª metade)

    Vinda dos ceramistas e oleiros da Flandres. Implatação definitiva das técnicas da Majólica.

    Grande actividade dos centros cerâmicos de Portugal.

    Maneirismo
    Composições eruditas e início dos azulejos de padrão com
    composições geométricas ou vegetalistas, nomeadamente
    a padronagem “ponta de diamante”.
  7. Reforma da Igreja Católica

    séc. XVI (Último quartel)

    Reforma da Igreja Católica
    Forte tendência para a pintura de motivos religiosos nos painéis de azulejos.
  8. Influência Oriental. Frontais de Altar

    séc. XVII (1ª metade)

    Aumento da produção nacional
    Lisboa considerada como o maior centro cerâmico nacional.
    Influência Oriental
    Fauna e flora exóticas, figurações da espiritualidade oriental.
    Frontais de Altar
    Azulejos de padronagem,como o padrão “camélia”, enxaquetados, painéis emblemáticos e hagiográficos.
  9. Renovação Temática. Barroco

    séc. XVII (2ª metade)

    Fim da Guerra da Restauração e recuperação económico-finaceira.

    Construção e renovação artística de Palácios.

    Renovação Temática
    A azulejaria como suporte de crítica social, temáticas profanas (mitologia clássica), cenas de costume, albarradas, azulejos de figura avulsa.
    Barroco
    Movimentação, expressividade, dramatismo e complexidade.
    Tendências e Influências
    Azulejaria holandesa a azul-cobalto e roxo-manganês, grandes painéis a azul e branco por influência da porcelana chinesa.
  10. Azulejaria de autor e figurativa

    séc. XVII-XVIII

    Época da azulejaria de Autor e da azulejaria figurativa.

    Pintura de azulejos confinada a mestres com formação erudita.
    Aprendizagem da representação em prespectiva.
  11. Grande produção Joanina

    c. 1725

    Grande produção Joanina
    Sumptuosidade, extroversão e teatralidade da corte de D. João V.

    Simplificação das partes historiadas, celebração decorative de enquadramentos, como as cabeceiras recortadas.

  12. Rococó. Insinuação da cor.

    c. 1740

    Rococó
    Diminuição da importância dos enquadramentos nas composições, perda de densidade de ornato, recorrência a concheados assimétricos.
    Insinuação da Cor
    O amarelo sugere o ouro dos trajes e panejamentos da talha dourada.
  13. Azulejaria Pombalina

    1755-80

    Período Pós-Terramoto
    Crise económica e a necessidade de reconstruir Lisboa.
    Construção da Fábrica do Rato em 1767, primeira unidade de fabrico em série.
    Explosão Cromática
    Recuperação total da paleta de cores.
    Azulejaria Pombalina
    Painéis historiados (registos de fachadas ou "alminhas"), composições ornamentais, incremento da padronagem.
  14. Período D. Maria. Neoclacissismo

    1780-1808

    Combinação de técnicas industriais e técnicas artesanais.
    Estampilhagem, estampagem mecânica, alto-relevo, prensagem mecânica.
    Período D. Maria
    Neoclacissismo
    Severidade de linhas e depuração decorativa. Recorrência a elementos do universo neoclássico, grinaldas floridas, laços, plumas.
  15. Romantismo e Revivalismo. Fachadas de Azulejos

    séc. XIX

    Romantismo e Revivalismo
    Painéis historiados e padronagem diversa.
    Fachadas de Azulejos
    Necessidade de produção intensiva de azulejos.
    São criadas novas fábricas em Lisboa, Porto e Aveiro.
  16. Época de Rafel Bordalo Pinheiro. Paredes de Azulejos

    séc. XX (1ª metade)

    Tendências e Influências:
    Historicismo, Nacionalismo, Naturalismo. Arte Nova, Arte Déco.
    Obra de Rafael Bordalo Pinheiro.
    Paredes de Azulejos
    Desenvolvimento da prática de revestimento parietal com azulejos industriais.
  17. Uma nova abordagem

    séc. XX (2ª metade)

    Uma nova abordagem
    Surgimento de novas propostas estéticas para a integração do azulejo
    em modernos projectos de arquitectura e urbanismo.
    Personalidades
    Jorge Barradas, Manuel Cargaleiro, Querubim Lapa, Maria Keil,
    Eduardo Nery.